domingo, 7 de outubro de 2012

O professor em situações-limite


O professor em situações-limite
Aparecida Tiradentes Santos

 Entrevista concedida ao Jornal Folha Dirigida – 2 a 8 de outubro de 2012
 

1)     A senhora é autora do livro "Listrinho – Crônicas para professores",

que sugere, entre outras coisas, uma reflexão sobre o papel do educador em

situações limites. Qual seria este papel?

 
R:Ter firme consciência da importância de sua profissão: perceber-se - e portar-se - com coerência e serenidade, como educador. Não interpretar “agressões” como “ataques pessoais”. Se reagir às atitudes agressivas do aluno com igual agressividade ou, ao contrário, deixando-se acuar, não soluciona o problema, agravando as dificuldades em fixar limites e em educá-lo. Agindo com autoridade (e não autoritarismo), não “fazendo o jogo” da reação “desnorteada” que o aluno espera, pode facilitar o estabelecimento de limites. As condições de trabalho do professor o levam a um grau de adoecimento emocional, que dificulta tal postura, mas não podemos alimentar este círculo vicioso.

  

2)     A senhora busca levar o leitor a uma viagem pelas relações humanas,

em especial, as de crianças que sobrevivem com muita resistência às

violências da vida. Quais as formas de violência, principalmente emocionais,

com que sofrem as crianças?

 


R:Uma delas é o roubo de sua infância. A “profissão” da criança é brincar (muito) e estudar (o suficiente). As crianças das camadas populares não podem brincar porque precisam trabalhar; as de classes médias e altas, porque têm uma grade de atividades semanais tão intensa, que até as brincadeiras são “regulamentadas”, tornando-se um fardo adicional. Muitas são as formas de violência, mas a maior delas é a falta de amor e respeito. Temos muitas opções de formações familiares hoje: em todas elas o amor pode  estar presente. Amor é compromisso com a criança. Família estruturada é aquela onde há amor e respeito, independendo de adotar o formato tradicional ou não.

                                             

3)     Algum caso de violência física ou emocional ficou marcado em sua

memória, pelo mal que fez ao estudante?
 

R:Inúmeros, incluindo os que relato no livro. Lembro-me de uma que une violência física, social e simbólica: um menino de nove anos saía da escola e ia para o trabalho, onde permanecia até à noite. Todo o seu pagamento ia para as mãos do padrasto, para as despesas familiares. Um dia, tendo recebido o pagamento, o menino passou em uma lojinha popular e comprou um carrinho. Ao chegar em casa e entregar o dinheiro ao padrasto, este, vendo que faltava o valor gasto com o brinquedo, agrediu fisicamente o menino, a ponto de, no dia seguinte, na escola, este estar com dificuldades de andar, falar e escrever.

 

4)     Qual a maior dificuldade para lidar com a violência no âmbito da

escola?                       

 
R: Despreparo, falta de condições e de apoio e acompanhamento por equipes pedagógicas (que hoje são obrigadas a atuar como “gerentes”) e desconhecimento das causas e formas de prevenção. A Escola Tasso da Silveira, em Realengo, sofreu com o assassinato de vários alunos dentro da sala de aula por um ex-aluno. Vejamos: esse ex-aluno não saiu atirando a esmo dentro de um supermercado, num baile ou no trem que  pegou para ir de Santa Cruz, onde morava, a Realengo. Ele tinha um alvo certo: era a escola onde ele havia estudado e sofrido, anos a fio, violência moral. Isto deve nos ensinar algo. Se esse menino, quando aluno, tivesse sido “defendido” pela equipe pedagógica e docente, dos ataques que sofria, será que teria feito o que fez? Ele não foi em busca dos indivíduos que o maltratavam, pois estes já não estudavam lá. Ele foi atacar a escola que permitiu os maus tratos, por não perceber, por omitir-se, por minimizar ou por não ter condições de agir. Esta é a nossa responsabilidade.

 

5)     Como vê a forma com a qual o poder público lida com a violência nas

escolas?

 
R:Em geral, com medidas “policialescas” e não preventivas. Escola é local de educação, não de repressão armada (ao contrário de uma postagem que circula em uma rede social, dizendo que ‘escola ensina, família educa’, afirmo que escola educa sim!). A violência deve ser abordada em bases pedagógicas, por professores, orientadores, assistentes sociais, compreendendo-a como microcosmo de uma sociedade que produz a violência. Militarizar as escolas, tomando por pretexto exemplos infelizes, como o da escola de Realengo, somente agrava a situação. No Sul do Brasil, recentemente, tivemos o caso de um aluno assassinado por um guarda escolar armado.

 

6)     Conhece algum bom exemplo de escola ou rede pública, para lidar com a

violência no ambiente escolar?

 

Em três décadas de magistério, tenho visto inúmeros exemplos bem-sucedidos. Como medidas políticas gerais adotadas pelas redes, estas devem vir acompanhadas de políticas sociais mais amplas. Registro o exemplo da Secretaria Municipal de São Paulo no início da década de 1990, na gestão do querido Paulo Freire, que, como não poderia deixar de ser, implantou uma política participativa. Assim como a cidade de Diadema-SP, no mesmo período, conhecida como uma das mais violentas do mundo. No plano internacional, temos o belíssimo exemplo do educador russo Makarenko, na educação de jovens infratores, uma referência mundial para a Pedagogia.

 

7)     A senhora busca, em seu livro, sugerir a necessidade de os

professores irem contra as evidências e acreditarem na superação do ser

humano. É difícil os professores não acreditarem nos alunos, em especial

quando as condições sociais e econômicas são adversas? Por que?

 

 R: Costumo dizer, sob o risco de parecer piegas ou de suporem que desprezo os determinantes políticos e econômicos, que a matéria-prima do trabalho do professor é a esperança. Não se trata aqui de retórica, mas da própria condição estrutural de nossa profissão: ninguém vai à escola para “piorar”, mas sim para melhorar, seja em que aspecto for: ampliar conhecimentos, fazer amigos para a vida toda, compreender melhor o mundo em que vive. Professor sem esperança, que não é apaixonado por gente, está intrinsecamente destituído de seu instrumento primário. É o mesmo que um cirurgião que não possa ver sangue. Uma impossibilidade estrutural. Imagine um médico que diga assim: não vou lhe atender porque você está doente. É o mesmo que um professor dizer: não vou lhe ensinar porque você não sabe.

 

8)     A senhora relata situações que viveu na condição de professora do

ensino fundamental. Qual a maior dificuldade, para um professor desse

segmento, em lidar com situações de conflito entre alunos, por exemplo?

 

A formação, cada vez mais aligeirada e instrumental, que não o prepara para ser um educador e as condições de trabalho (turmas numerosas, vínculos precários, carga dividida em várias escolas, competitividade por boas posições nos rankings). Estes são os fatores mais visíveis. Porém, os fatores macroestruturais,  os sócio-econômicos, são os mais graves. Nossa sociedade é marcada pela divisão de comunidades por facções do poder paralelo. Quando o governo promove a remoção de moradores de comunidades “rivais” para áreas de convívio comum, o professor recebe em uma mesma turma, alunos que já trazem a marca externa na “proibição de convívio” e o incitamento à violência.

 

9)     Qual o papel do professor para ajudar um aluno vítima de violência

dentro ou fora da escola a se recuperar do trauma.

 

A rigor, a “recuperação” de um trauma ocorreria através de um profissional de saúde mental, cujo acesso é negado à maioria da população. A escola, em um movimento legítimo de “desmedicalização” do fracasso escolar nos anos 1980, afastou-se (erroneamente) dos profissionais de saúde mental. Ao professor, cabe ter sensibilidade para promover situações de convívio que amenizem os efeitos do trauma (ou das situações continuamente traumáticas) ou que, o menos, não os acentuem. Se for uma situação atual e externa, procurar o Conselho Tutelar. Se for uma situação interna, mobilizar a escola para prevenir e impedir pedagogicamente a violência.

 

10) A senhora também relata situações de quando atuava como orientadora

educacional. Qual a importância desse profissional para dar o suporte aos

alunos?

Considero fundamental a presença do orientador, do supervisor e do coordenador, atuando em conjunto, articulando as especificidades de cada um. O orientador educacional desempenha papel importantíssimo em momentos em que o aluno necessita de um tipo de “escuta” que o professor, em sua rotina, se vê impossibilitado. É ainda um importante interlocutor do professor, para discutir situações de dificuldades no processo ensino-aprendizagem e no contato com a família. Relato no livro o caso de um aluno, que perdeu a mãe, vítima do HIV, poucas semanas após perder o pai pelo mesmo motivo e o avô por atropelamento. Vindo do sepultamento da mãe, foi direto à escola, procurou-me, como orientadora educacional, segundo ele “para nada”. É um “nada” que faz muita diferença.

 

11) Muitas escolas não têm orientadores educacionais. Estes profissionais

fazem falta nas escolas? Por que?

 

Por todos os motivos acima, além da colaboração na construção de um currículo que tome por referência o aluno concreto (não o estigmatizado por pertencer às classes populares). Um bom orientador é aquele que trabalha tão próximo ao professor e ao conjunto da escola, que, aparentemente, torna-se desnecessário em alguns aspectos, exatamente aqueles da invisibilidade que faz a diferença.

 

12) As situações relatadas no livro ocorreram quando a senhora trabalhava em

escolas públicas. No setor privado, acredita que o quadro seja diferente?

Pode ser ainda pior?

 

No livro, abordo a situação de violência presente nas vidas dos alunos daquelas escolas concretas, mas isto não significa que a pedagogia apresentada seja específica apenas a um tipo de escola. O tipo de violência expressado em escolas privadas emana da mesma sociedade. Segundo o psiquiatra francês Déjours, a violência resulta da banalização da injustiça social. Isto ocorre, no caso dos alunos de classes privilegiadas, pela banalização do “bullying”, pela pressão por desempenho altíssimo, competitividade, comprometimento da sociabilidade das crianças, no produtivismo exigido da infância atual, que não tem horários livres para simplesmente brincar.

 

 

 

Entrevista sobre o projeto Dupla Escola do Governo do Estado do Rio de Janeiro


Entrevista sobre o projeto Dupla Escola do Governo do Estado do Rio de Janeiro,
Concedida à jornalista Viviane Tavares da Fiocruz

Aparecida de Fátima Tiradentes dos Santos

 
1-Recentemente o Governo do Estado do Rio lançou o projeto Dupla Escola que

estreita a relação da iniciativa privada dentro da escola pública. Como vc avalia

isso?

 

Este projeto integra um conjunto de medidas que os governos neoliberais vêm implantando no sentido da subordinação da escola ao “setor produtivo”, leia-se, ao empresariado.

As duas últimas décadas foram marcadas pela implantação do modelo neoliberal no Brasil e seu correspondente projeto pedagógico, o “gerencialismo de mercado”. Consiste na ideia de que a escola de qualidade é aquela não apenas voltada para o mercado, como produzida pelo mercado. O conceito de “gestão pela qualidade” do mercado invade as escolas, transformando um direito em um serviço a ser produzido e oferecido pelo mercado. Temos o movimento de Educação Corporativa, onde as empresas assumem a formação do trabalhador, ocupando o lugar da escola. Isto se dá diretamente, com a criação de escolas corporativas, e indiretamente, com a entrega da gestão de escolas públicas a institutos privados por meio de parcerias para gestão. Ironicamente, o projeto Dupla Escola parece unir as duas perspectivas. Tanto que, na apresentação do projeto Dupla Escola, o governo estadual menciona como exemplo uma “curiosa” escola corporativa: a escola corporativa da TKCSA, mencionada como o exemplo de “escola ecológica” no estado do RJ. Uma escola “ecológica” gerida por uma empresa que vem sendo alvo de uma luta tão intensa contra os danos ambientais (inclusive humanos) causados na Região de Santa Cruz e Baía de Sepetiba. Esta empresa vem emitindo partículas nocivas na atmosfera, gerando direta e indiretamente mortes na população local. Destrói as comunidades de pescadores que vivem há séculos na região, pela poluição da Baía. Aumentam as ocorrências de doenças respiratórias, psíquicas e outras, decorrentes da destruição da economia típica local e do ecossistema. Mas recebe do governo do estado o título de modelo de parceria público-privado, de referência para o Dupla Escola, por sua “escola ecológica”, pela “profícua” união estado-empresa, segundo o governador. Este é o sentido do projeto Dupla Escola. Aliás, é até um nome apropriado: a imagem da “duplicidade” ideológica que sustenta um suposto (porém impossível) pacto de classes.

 

 

 

2) Esta não é uma iniciativa única, alguns estados como São Paulo, Pernambuco e

Maranhão também seguem esta mesma lógica. É uma tendência? Se sim, por que?  Você

conhece outros casos em outros estados?

 

Órgãos como a OCDE e o PREAL- Programa de Promoção das Reformas Educacionais na América Latina e Caribe, que exercem grande influência na educação brasileira, “sugerem fortemente” (é assim que o PREAL refere-se às sua prescrições) a implantação do modelo gerencialista de mercado na Educação. As orientações do Neoliberalismo, desde a Conferência de Jontiem em 1990, o Consenso de Washington e a criação da OMC, argumentam que educação deve ser concebida como negócio. No caso da Educação Básica, as escolas devem ser públicas, mas com sua gestão delegada a institutos privados. Já a Educação Superior, deve ser diretamente privada, mas sustentada com fundos públicos. Em ambos os casos, quem decide é o mercado, mas quem financia é o Tesouro Público. No caso do Brasil, fizemos o “dever de casa” direitinho: 90% das instituições de Educação Superior no Brasil são privadas e recebem progressivamente verbas públicas. No caso da Educação Básica, ao contrário, 90% são públicas, mas entregues a institutos privados, como Airton Senna, Fundação Lehmam e outras. Há condicionalidades que “obrigam” as redes municipais, mesmo aquelas que não decidiriam por isso, a aderirem às parcerias, a fim de receberem recursos. O Movimento “Todos pela Educação” vincula projetos da UNESCO à gestão privada das escolas, por exemplo.

 

 

2) Como fica a questão da influência da iniciativa privada na construção e qualidade deste ensino?

 Trata-se da “qualidade” abstrata do mercado, estruturalmente impossível. Sendo a educação muito mais do que ensino e instrução, mas formação de valores, de crítica da sociedade, de lugar de transformação e de lutas,a autonomia política e independência ideológica são elementos fundamentais.

 

3) O estado está passando o papel dele de investimento em educação para iniciativa

privada? Como isso é avaliado? Qual é o interesse da iniciativa privada com este

tipo de projeto?

Não, é pior:  Estado está repassando o papel de formulador, de definidor das linhas educacionais e dos currículos ao mercado. O dinheiro continua saindo dos cofres públicos. Quem financia é o Estado, ou seja, o contribuinte. Toda verba investida em educação é recuperada sob três formas:

1-      Contrapartida fiscal  (isenção nos impostos)

2-      Financiamento direto: o estado repassa o dinheiro diretamente às empresas

3-      Valorização do capital de marca, que, hoje, é um elemento contábil, considerado ativo intangível, que compõe o valor das ações de uma empresa.

 

Ações de responsabilidade social e ambiental, “empresas-cidadãs” etc, são bons negócios, do ponto de vista financeiro, para a empresa e péssimos, do ponto de vista pedagógico e político, para a sociedade.

 

4) No material de divulgação do projeto  aponta que ele será focado para suprir as

demandas dos profissionais das indústrias do Estado. É esse foco que deveria ser

dado?

 

A função primordial da Educação Profissional é a preparação para o mundo do trabalho e não apenas para o mercado de trabalho. A preparação para o mundo do trabalho significa construir uma leitura crítica do mundo do trabalho em sua totalidade, em seu contexto macroeconômico e seus elementos concretos, não apenas os imediatos e mais próximos. Significa, portanto, problematizar o mundo da forma como está organizado, dividido em classes, na exploração, intensificação e precarização do trabalho. É a formação do trabalhador no sentido pleno, não a instrumentalização para o exercício profissional, mesmo que isto inclua alguns fundamentos científicos da mesma área. Costumo dizer nas aulas que, ensinar Física em um curso Técnico de Mecânica ou Antropologia em um Curso Técnico de Turismo, não é nenhuma vantagem do ponto de vista de uma Escola Unitária e da Politecnia. Estes são fundamentos científicos “úteis” ao desempenho do ofício técnico, de que o modelo capitalista das competências e da polivalência até gostam. A grande transformação seria a Antropologia no Curso de Mecânica e a Física no de Turismo. Formação geral, “desinteressada”, usando o termo gramsciano.Isto é a Escola Unitária na concepção defendida por Gramsci.

O conceito de Politecnia, já que estamos em uma escola politécnica, envolve muito mais do que as técnicas aliadas aos princípios científicos daquela área específica, mas sim a formação geral, com componentes curriculares que “lançam mundos no mundo”, como diz Caetano Veloso na música “livros”. É este lançar mundos no mundo que não interessa a quem tem o domínio na sociedade injusta em que vivemos. Educação da classe trabalhadora, portanto, deve ser guiada pelo princípio da transformação social, o que, por óbvio, não será admitido em um projeto voltado para atender aos interesses do mercado. 

 

 

5)Diante desta perspectiva, como fica o conceito de ensino integrado? Ele é

prejudicado para favorecer mais o profissionalizante?

 

Acredito já ter deixado implícito na pergunta anterior. Prefiro manter o termo Escola Unitária, desenvolvido e claramente definido por Gramsci, a “ensino integrado”, por ter este muitos sentidos, muitas interpretações e usos históricos.

 

 

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Situação da Educação Superior no estado do Rio de Janeiro


Relatório da pesquisa sobre os grupos educacionais e as IES em atuação no Estado do Rio de Janeiro.

Por Aparecida Tiradentes Santos[1]

 

Esta pesquisa limita-se às IES (Instituições de Educação Superior) privadas oficialmente credenciadas para oferta de cursos de graduação no estado do RJ, presenciais e na modalidade EAD. Foram pesquisados os 58 municípios do estado, por meio de fontes públicas, a saber: sítio eletrônico do MEC e das IES, acessados entre os dias 16 e 21 de agosto de 2012.

Registre-se que o ato de credenciamento refere-se à IES no município de atuação, podendo cada IES instalar diversos campi sob o mesmo credenciamento, desde que na mesma cidade, respeitada a autonomia referente ao status (universidade, centro universitário ou faculdade). Cada campus pode oferecer diferentes cursos, desde que autorizados e reconhecidos, na forma da legislação respectiva a cada status de credenciamento. A pesquisa, portanto, diz respeito ao credenciamento  das IES em cada cidade, não considerando o número de campi ou cursos. Identificamos 143 IES privadas diferentes. Excepcionalmente na seção referente à oferta do curso de Pedagogia na modalidade EAD foram consideradas também as IES públicas, não contabilizadas nos demais levantamentos.

Identificamos 301 credenciamentos de IES, o que representaria a média de 5,18 credenciamentos por município, não fosse a diversidade demográfica, econômica e social, que faz com que o município do Rio de Janeiro, por exemplo, concentre 101 credenciamentos de IES privadas diferentes, enquanto cidades como Natividade, Cantagalo e outras não possuam IES privadas credenciadas.

Entre os 301 atos de credenciamento (cada IES em cada município), registramos a incidência de concentração em torno de 14 grupos educacionais responsáveis por 135 credenciamentos, com tendência à expansão.

Os cinco maiores grupos, UCB, FTC-Salvador, UNESA,UNOPAR-KROTON e UNIP concentram 76 credenciamentos.

O gráfico abaixo espelha esta divisão: na coluna 1 temos os credenciamentos por grandes grupos, enquanto a coluna 2 apresenta o número de credenciamentos por IES isoladas ou de pequenos grupos.



 

 

 

 

Grupos Educacionais de grande porte atuando no Estado do RJ em agosto de 2012

 

 


 

Grupo
Educacional
 Sigla
Grupo Educacional Nome
Mantenedora
Cidade Sede Da Mantenedora
Número De Municípios Onde Atua
UCB
Universidade Castelo Branco
Centro Educacional De Realengo
Rio De Janeiro- RJ
21
FTC SALVADOR
Faculdade De Tecnologia E Ciências - FTC Salvador
Instituto Mantenedor De Ensino Superior Da Bahia
Salvador-BA
19
UNESA
Universidade Estácio De Sá
Sociedade De Ensino Superior Estácio De Sá
Rio De Janeiro- RJ
14
UNOPAR KROTON
Universidade Norte Do Paraná
União Norte Do Paraná De Ensino
Londrina-PR
12
UNIP
Universidade Paulista
Associação Unificada Paulista De Ensino Renovado Objetivo- Assupero
São Paulo –SP
10
UNISUL
Universidade Do Sul De Santa Catarina
Fundação Universidade Do Sul De Santa Catarina
Tubarão-SC
10
UAM ANHEMBI
Universidade Anhembi-Morumbi
ISCP Sociedade Educacional
São Paulo-SP
9
UNIDERP ANHANGUERA
Universidade Anhanguera - Uniderp
Sociedade Educacional Anhanguera
Campo Grande-MS
7
UNIGRANRIO

Universidade do Grande Rio Professor José de Souza Herdy
Associação Fluminense de Educação
Duque de Caxias-RJ
7
FAEL
Faculdade Educacional Da Lapa
Sociedade Técnica Educacional Da Lapa
Lapa – PR
7
UCAM
Universidade Cândido Mendes
Associação sociedade Brasileira de Instrução
Rio de Janeiro-RJ
5
OPET
Faculdades OPET
Organização Paranaense de Ensino Técnico
Bom Retiro-PR
5
UNIABEU
ABEU Centro Universitário
Associação Brasileira de Ensino Universitário
Belford Roxo-RJ
5
COC

Centro Universitário Do Instituto De Ensino Superior Coc - Coc
Uniseb- União Dos Cursos Superiores SEB
Ribeirão Preto-SP
4

 

 

 

 IES privadas no RJ (número de cidades por IES)

 


 

 

Relação de IES privadas por município do RJ:

 

ANGRA DOS REIS:

 

UNIABEU

FAEL

UCB

UNIP

 

ARARUAMA

 

UNILAGOS

UCM

 

ARRAIAL DO CABO

UCB

 

BARRA DO PIRAÍ:

 

UGB (GERALDO DE BIASE)

UNIP

        

BARRA MANSA:

UMB  

FTC-SALVADOR

UAM ANHEMBI-MORUMBI

 

 

BELFORD ROXO:

UNIABEU

UNINTER

FABEL          

FTC-SALVADOR

UCB

UNIUBE

        

BOM JESUS DE ITABAPOANA:

FAMESC

 

 

CABO FRIO

FERLAGOS

FTC-SALVADOR

UNIUBE

UNESA

UNOPAR

UNIP

UVA

 

CAMBUCI

ULBRA

 

CAMPOS DOS GOYTACAZES

COC

UNIFLU

FABERJ

FMC  

FTC-SALVADOR

REDENTOR

ISECENSA

ITCSA-SAÚDE

UAM ANHEMBI-MORUMBI

UCAM

UCB

UNISA

UNISUL

UNESA

UNOPAR-KROTON

UNIP

UNIVERSO

 

CANTAGALO

--

 

DUQUE DE CAXIAS

COC

UNINTER

FFCLDC

FTC-SALVADOR

FAEL

FLAMA

OPET

UCB

UNIUBE

UNIGRANRIO

UNESA

UNOPAR-KROTON

 

IGUABA GRANDE

ULBRA

 

ITABORAÍ

UNIPLI-ANHANGUERA

FACNET

FEITA

FTC-SALVADOR

OMNI

 

ITAGUAÍ

UCB

 

ITAOCARA

UCB  

 

ITAPERUNA

SÃO JOSÉ

REDENTOR

UAM ANHEMBI-MORUMBI

UNIG

UNOPAR-KROTON

UNIP

 

JAPERI

UCB

 

MACAÉ

FAAB

FAFIMA

FTC-SALVADOR

FAEL

FEMAS

FEMASS

FSMA

UNIDERP- ANHANGUERA

UAM ANHEMBI-MORUMBI

UCB

UNIGRANRIO

UNESA

UMESP

UNOPAR-KROTON

UNIP

 

MAGÉ:

 

FAEL

OPET

UNIGRANRIO

UNOPAR

 

MANGARATIBA

UCB

 

 

MARICÁ

UNINTER

USS

 

 

MESQUITA

FTC-SALVADOR

 

MIGUEL PEREIRA

--

 

MIRACEMA

--

 

NATIVIDADE

--

 

 

NILÓPOLIS

UNIABEU

SEFLU

UNOPAR-KROTON

 

 

NITERÓI

COC

UNINTER

UNIPLI-ANHANGUERA

ESEHA

FTC-SALVADOR

FAMATH

ISE LA SALLE

UNIDERP

UAM ANHEMBI-MORUMBI

UCAM

UCB

UNISUL

UNESA

UNOPAR

UNIP

UNIVERSO

 

NOVA FRIBURGO

UNINTER

FFSD

FTC-SALVADOR

FAEL

UCAM

UNESA

UNOPAR-KROTON

UNIP

 

NOVA IGUAÇU

UNIABEU

UGB

UNINTER

FTC-SALVADOR

IFITEPS

UCB

UNIGRANRIO

UNISUL

UNESA

UNIG

UNOPAR-KROTON

UNIFACS

 

PARACAMBI

UNISUL

 

 

PARATI

UNINTER

UNIDERP ANHANGUERA

UNIP

 

 

PETRÓPOLIS

UNIP

UNINTER

FASE

FMP

FTC-SALVADOR

ITF     

UAM-ANHEMBI-MORUMBI

UCP

UNESA

UMESP

UNOPAR-KROTON

PIRAÍ

--

 

PORTO REAL

UNIP

 

QUEIMADOS

FTC-SALVADOR

UNESA

 

QUISSAMÃ

FAMESC

 

RESENDE

UNINTER

FCEACDB

FER

FFCLDB

FTC-SALVADOR

FAEL

UCB

UNISUL

UNESA

ULBRA

 

RIO BONITO

FACERB

UCB

 

RIO DAS FLORES

--

 

RIO DAS OSTRAS

FCRD

 

RIO DE JANEIRO

AIEC FAAB

AVM

BENNET

CEUMAR-CESUMAR

COC

DIREITO-RIO

EBAPE

EBEF

EEFTESM

EMAP FVG

EMSM

ENCE

ESNS

ESPM

FABA

FABAT

FABEC

FABES

FAC-CCAA

FACHA

FACIG

FAECAD

FAEL

FAGRAM

FAMA

FAMERC

FAPG

FASC

FATEC

FATERJ

FAU

FAV

FBCJ

FCCAE

FCHS

FEAD- MG

FEFRJ

FELM

FESM

FFCLSM

FGS

FGV

FIAA

FIC

FIJ

FILC

FIS

FMJ-MAKENZIE

FRASCE

FSB

FSJ

FSJT

FTC-SALVADOR

IBMEC(CIENC SOCIAIS)

IBMEC(ECONOMIA E FINANÇAS)

INFNET

ISEPS

ISI

NEWTON PAIVA

OPET

PUC-RIO

SFNSC

SIGNORELI

TREVISAN

UAM

UCAM

UCB

UCL

ULBRA

UMSB

UNESA

UNIABEU

UNIBMR

UNICARIOCA

UNIDERP

UNIFACS

UNIGRANRIO

UNINTER

UNIP

UNISUAM

UNISUL

UNIVERCIDADE

UNOPAR-KROTON

USU

UVA

 

 

SANTA MARIA MADALENA

--

 

SANTO ANTÔNIO DE PÁDUA

FASAP

UCB

                    

SÃO FIDÉLIS

FSF

 

 

SÃO FRANCISCO DE ITABAPOANA

--

 

SÃO GONÇALO

UNINTER

FTC-SALVADOR

FATESG

FAMATH

ISAT

UNIDERP-ANHANGUERA

UCB

UNISUL

UNESA

ULBRA

UNIVERSO

UNIFACS

 

SÃO JOÃO DE MERITI

UNINTER

FTC-SALVADOR

OPET

UNIGRANRIO

UNESA

UNIG

UNOPAR

 

SÃO JOSÉ DO VALE DO RIO PRETO

--

 

SÃO PEDRO DA ALDEIA

FASS

UNISUL

 

SAQUAREMA

--

 

SEROPÉDICA

UCB

 

SILVA JARDIM

OPET

UNIGRANRIO

 

TERESÓPOLIS

UNINTER

UNIFESO

FTC-SALVADOR

UNESA         

UNOPAR

UNIP

 

TRÊS RIOS

UNINTER

UCB

 

VALENÇA

CESVA

UAM ANHEMBI-MORUMBI

UNISUL       

 

VASSOURAS

USS 

 

VOLTA REDONDA

UNIFOA

UGB

FTC-SALVADOR

FASF

UAM ANHEMBI-MORUMBI

UNISUL

ULBRA

UMESP

 

 

PROPORÇÃO EAD-PRESENCIAL:

CURSO DE PEDAGOGIA:

MODALIDADE “ENSINO PRESENCIAL” – OFERECIDA POR 61 IES (públicas e privadas)

 MODALIDADE “ENSINO À DISTÂNCIA- OFERECIDA POR 80 IES (públicas e privadas)

 

Número de IES que oferecem o curso de Pedagogia na modalidade EAD em cada município:

 

Angra dos Reis:  09

Belford Roxo: 06

Bom Jesus do Itabapoana: 04

Cabo Frio: 05

Campos dos Goytacazes: 11

Duque de Caxias: 12

Itaperuna: 08

Macaé: 13

Magé: 06

Niterói: 13

Nova Friburgo: 07

Nova Iguaçu: 11

Petrópolis: 11

Rio de Janeiro: 28

São Gonçalo: 12

Teresópolis: 04

Três Rios: 06

Volta Redonda: 09

 

Os dados acima, tomando como exemplo o curso de Pedagogia por ser um dos maiores de modo geral e especialmente na modalidade EAD, nos levam a concluir que a EAD (especialmente a particular) não realiza a função de interiorização nem de atendimento às regiões demograficamente diluídas ou economicamente periféricas. Ao contrário, o número de cursos por EAD, em linhas gerais, corresponde às regiões mais populosas  e com maior renda, em proporção diretamente relacionada à oferta presencial.

 

 

 

 

 

Conclusões:

A oferta de Educação Superior privada no Estado do Rio de Janeiro apresenta tendência à concentração em torno de grandes grupos, que vêm se expandindo na forma de fusões e/ou aquisições de IES locais, ou ainda instalando-se como concorrentes.

Dos 14 maiores grupos, 9 são sediados outras unidades da federação, com histórico e/ou tendência à expansão por todo o território nacional.

A oferta de cursos de graduação na modalidade EAD (Ensino à Distância) é proporcionalmente (e em alguns casos absolutamente) maior do que na modalidade presencial, especialmente nos cursos de Pedagogia e Licenciatura.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



[1] Este relatório, incluindo os gráficos e tabelas aqui apresentados, foram elaborados pela autora, a partir de dados dispersos do MEC e das IES.